sábado, 12 de maio de 2018

O que está tirando o chão do homem mais rico do Brasil

Apresento aqui um excelente artigo sobre como as mudanças no mercado atual estão exigindo cada vez mais das empresas uma cultura orientada para inovação, melhor experiência do cliente, cultura empresarial flexível e ética. Novos hábitos de clientes e funcionários aliados a entrada de novos concorrentes em sinergia com os novos comportamentos estão pressionando os lucros das grandes empresas e tirando o chão de seus investidores.


Por que Lemann diz que é um “dinossauro apavorado”

O que está tirando o chão do homem mais rico do Brasil são as mudanças advindas de uma nova gente, que tem novos hábitos, vontades e certezas
Por Silvio Genesini


Jorge Paulo Lemann, Co-Founder and Board Member, 3G Capital; Board Member, Kraft Heinz, speaks at the Milken Institute’s 21st Global Conference in Beverly Hills
DINOSSAURO RECONHECIDO: empresário Jorge Paulo Lemann reconhece a necessidade de atualizar sua companhia para o novo mercado / REUTERS/| Lucy Nicholson

Foi uma declaração surpreendente de franqueza e fraqueza do principal líder empresarial brasileiro, Jorge Paulo Lemann. Teve pouca repercussão. Fora um artigo no portal desta EXAME e pequenas reportagens em jornais e blogs, o assunto não repercutiu. É bem verdade que foi em terras estrangeiras. Mas, a sinceridade dos comentários, a propriedade das afirmações e a identidade do narrador, fazem desta intervenção uma das mais simbólicas demonstrações dos desafios que afligem as grandes corporações com as mudanças do mundo.
O cenário era uma conferência no Milken Institute intitulada: Estratégia e Liderança na Era da Disrupção. O moderador foi o editor executivo da Revista Fortune, Adam Lashinsky. Os participantes, além de Lemann, foram Jim McCaughan, presidente da Global Asset Management; Tim Sloan, CEO da Wells Fargo e Julie Sweet, CEO para a América do Norte da Accenture.
Jorge Paulo foi o segundo a falar, logo depois da diretora da Accenture. O moderador, provocativamente, perguntou como ele, que é investidor em indústrias tradicionais e antigas, via a inovação. Não sei se ironicamente, sinceramente, no espírito da provocação, ou por todas as razões anteriores, Lemann disparou, sorrindo: “Eu sou um dinossauro apavorado”.
E justificou que se sentia assim depois de ter assistido a dois painéis: um sobre alimentos em que só falaram sobre novos produtos e novas formas de produzi-los e um outro sobre inteligência artificial, em que a conversa toda era sobre dados e analytics. Percebeu que tinha vivido em um mundo aconchegante, de marcas consagradas e grandes volumes, em que quase nada mudava, que podia se concentrar em ser eficiente e tudo ficava bem. De repente tudo mudou. No supermercado há centenas de marcas novas, o cliente não quer sair e quer que a entrega seja feita em casa.
Em resumo, Jorge Paulo demonstrou, em poucas palavras, que a ficha da disrupção caiu para ele e seus sócios. Em outra intervenção, no mesmo painel, explicou qual era o modelo de negócios das empresas da 3G e porque não funcionava mais. Baseava-se na obtenção de dinheiro barato, que era usado para comprar marcas tradicionais de produtos de consumo, que deveriam durar indefinidamente, com uma demanda sempre crescente. Adicione-se a essa receita uma dose importante de corte de custos e melhoria de eficiência e estava feito o bolo que não parava nunca de crescer.
O que mudou para que tão azeitado modelo corresse o risco de não mais funcionar? O mais curioso é que, ao contrário da grande maioria das organizações, a tempestade que os ameaça não vem diretamente das transformações tecnológicas.
Em primeiro lugar, o custo do dinheiro aumentou e os retornos diminuíram. Com a melhoria da situação econômica dos Estados Unidos e Europa, as taxas, que ficaram por muito tempo perto de zero, começaram a aumentar. Não há mais dinheiro barato como havia.
Em segundo lugar, e com muito mais impacto, a onda do saudável e do orgânico cresceu e espalhou-se irresistivelmente. Aqui, a internet, criadora e potencializadora de redes, teve papel fundamental em juntar militantes da causa, espalhados mundo afora.
As pessoas estão preferindo comer alimentos frescos, feitos em casa ou sob encomenda, do que comida industrial processada, como as fabricadas pela Kraft Heinz, ou o fast food do Burger King. Em bebidas a situação é similar. Os refrigerantes, bebidas carbonatadas com açúcar ou adoçante, têm sofrido rejeição crescente. E, no caso da cerveja, carro chefe do grupo que detêm o controle da AB InBev, as cervejas artesanais (craft beers) fazem o papel do saudável e do novo, usando menos produtos químicos, além de ter charme e personalidade.
Lemann reconhece que não esperavam essa onda das craft beers quando entraram nos Estados Unidos. Reagiram, comprando mais de 20 marcas, contrataram os líderes e aprenderam com eles. Diz que estão preparados para continuar comprando, se essa mesma moda acontecer em outros países do mundo.
Por último, foram atingidos pela reação a um dos pontos mais fortes da cultura do grupo: o gerenciamento com corte de custos e meritocracia agressiva. O grupo reinventou o Orçamento Base Zero (ou OBZ), uma técnica antiga que consiste em determinar custos, não pelo seu crescimento histórico, mas como se as operações estivessem começando do zero a cada ano. Por isso, Warren Buffet, que é sócio na Kraft Heinz, disse que eles estão entre os melhores homens de negócios do mundo.
Como reconheceu Jorge Paulo, durante o painel, até essa eficiência tem sido objeto de crítica. O mundo passou a esperar do capitalismo métodos mais humanizados. Um dos argumentos usados pela Unilever para rejeitar a oferta de compra feita pela Kraft Heinz, no inicio de 2017, teria sido a cultura agressiva e abrasiva do comprador.
Uma pesquisa online do site Glasdoor.com, reproduzido pelo Credit Suisse, feito com ex e atuais funcionários da Kraft Heinz, mostra que apenas 29% recomendariam a empresa a um amigo. Este percentual é de cerca de 80% na Unilever. A empresa recebeu uma nota geral de 2.4 (em um total de 5) comparado com 3.8 da Nestlé e 3.9 da Unilever.
Como se vê, apesar de Lemann estar também preocupado com os efeitos dos dados e da Inteligência Artificial, o que está tirando o seu chão e o seu sono são as mudanças advindas, principalmente, da existência de uma nova gente, habitando esta terra, que tem outros hábitos, vontades e certezas. É uma gente volúvel, permanentemente insatisfeita e que quer novos produtos todos os dias, como ele próprio diz. Estas pessoas são, ao mesmo tempo, clientes, empregados, executivos e parceiros das corporações.
Espontaneamente, Lemann apontou 3 empresas que teriam se ajustado aos clientes e às preferências dos novos tempos: Nike, Starbucks e Zara. São todas modelos de negócios vencedores, mas por coincidência, não estão em suas melhores fases de adaptação ao mundo contemporâneo.
A Starbucks está sofrendo concorrência de lojas de café independentes (um fenômeno parecido com as cervejas artesanais), suas vendas estão estagnadas e suas ações caíram 3% no último ano. Nesta última semana, venderam o direito de comercializar no varejo seus produtos empacotados para a Nestlé, por US$ 7.15 bi. Vão se concentrar nos seus pontos de varejo para tentar crescer novamente.
O CEO da Nike, Mike Parker, desculpou-se recentemente por não ter levado a sério reclamações dos empregados sobre problemas no ambiente de trabalho, eufemismo atual para casos de assédio. Aconteceu em sequência à saída de vários executivos importantes, incluindo o segundo na hierarquia.
A Zara passou, no final do ano passado, por protestos e ameaças de boicote de clientes em função de bilhetes achados com mensagens como: “eu fiz esta peça e não fui pago por isso”. Eram empregados de uma fábrica terceirizada na Turquia que fechou”. Não é incomum que os fabricantes de roupas tenham problemas éticos nas suas cadeias logísticas.
Nada disso quer dizer que estas grandes marcas não vão resolver seus problemas e moldar-se às novas expectativas e tendências de um mercado cada vez mais exigente, não apenas com os produtos que estão comprando, mas também com a forma como eles são produzidos.
Mas, talvez fosse mais adequado se Lemann usasse como exemplo – e possivelmente como concorrente – a Amazon, com a sua recente aquisição da Whole Foods. É um bom exemplo do formato que tem o propósito de vender e entregar produtos frescos, orgânicos e saudáveis onde o cliente preferir, em casa ou na loja.
Jorge Paulo, quando confrontado pelo moderador com a possibilidade de ele e seus colegas não estarem preparados para conduzir a mudança, já que suas habilidades seriam outras, respondeu com firmeza que com seus 78 anos já tinha vivido muitas vidas. Havia sido jogador de tênis, liderado instituições financeiras e que não ia descansar nem ir embora. Ia reagir. Foi aplaudido pelos participantes.
Lemann tem razão. As grandes corporações têm reagido às ameaças de disrupção reconhecendo sua situação de risco, investindo em inovação dentro e fora de suas fronteiras, estabelecendo uma cultura empresarial flexível e inclusiva e, principalmente, inventando os novos produtos e serviços que os clientes anseiam e desejam.
Citou a iniciativa da criação de um novo departamento chamado ZX na AB InBev, com novos profissionais e novas competências, para avaliar e implementar possibilidades criativas de inovação e, se necessário, disruptar a si mesmo. A experiência vai servir de modelo para as outras empresas do grupo.
A 3G tem uma oportunidade única. Reinventar a forma de criar, produzir e distribuir alimentos e bebidas no mundo. O Brasil teria muito a ganhar. Com o advento da Quarta Revolução Industrial os ecossistemas produtivos serão mundiais. Juntar a excelência do nosso agronegócio com empresas globais, produtoras dos alimentos do futuro, controlada por brasileiros, é uma vantagem competitiva absolutamente excepcional.
No darwinismo empresarial atual, os dinossauros têm toda a chance de escapar da extinção e sobreviver. Para isso precisam, apenas, ser inovadores, ágeis, flexíveis, mutantes e sensíveis aos desejos e necessidades dos novos e inconstantes habitantes deste planeta.
Não é totalmente descabido afirmar que, em tempos tão peculiares, dinossauros, robôs e humanos possam conviver em harmonia. Uma época jurássica transumanista.

sábado, 4 de março de 2017

Como o cartão fidelidade é a grande sacada para alavancar vendas

Coma dez refeições e ganhe a décima primeira ou traga um amigo e ganhe desconto. Já ouviu propagandas assim? Veja como montar uma estratégia que vale a pena

Cartão fidelidade vale a pena

São Paulo – Os clientes são a coisa mais importante de um negócio, afinal, sem eles não haveria faturamento. Mas quanto tempo você gasta pensando em estratégias de fidelização? Se isso não estiver entre suas prioridades, coloque o quanto antes.

“Toda empresa que quiser sobreviver tem que ter um cartão fidelidade ou qualquer outra boa estratégia de fidelização. Quem não tem, está atrasado”, diz o coach Roberto Navarro, do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC).

O segredo para atrair clientes fiéis está no diferencial oferecido. Exemplo: você está em dúvida entre comprar um determinado produto em uma loja ou em outra, sendo que ambas ficam no mesmo lugar e cobram preços similares pelo mesmo item, só que em uma delas você ganha 100 reais de desconto na próxima compra e na outra, não. Qual você escolheria?

“Certamente o consumidor vai escolher a opção que dá desconto, que oferece um plano de fidelidade. Assim, o negócio ganha não só a compra naquela hora, como também garante que a próxima aquisição do cliente será lá”, afirma Navarro.

Gilberto Braga, professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-RJ), lembra que há uma infinidade de estratégias de fidelização no mercado, o que exige cuidado redobrado dos empresários para não perder a referência do que é diferencial.

“É muito comum que os restaurantes ofereçam, por exemplo, uma refeição grátis depois de dez pagas. Se for um restaurante que ele almoça todo dia, perto do trabalho, por exemplo, não vai fazer diferença para ele. Ok, é legal ganhar uma refeição, mas isso não prende ele ali”, diz.

“Se em vez de ele ganhar uma refeição comum ele ganhasse um jantar com um cardápio diferente, mais requintado, para ele e um acompanhante, ou até mesmo um produto que tenha a ver com a identidade do restaurante, como uma bolsa de praia se o estabelecimento ficar à beira mar, isso sim seria um diferencial para ele se manter fiel ao lugar”, completa o professor.

Segundo Braga, tudo o que o cliente não quer é se sentir comum —muito menos usado. “Se ele come quase todos os dias ali, ele sabe que tanto ele quanto seus colegas em algum momento vão ganhar aquela refeição grátis, seja mais cedo ou mais tarde. Não há nada de especial nisso.”

Para Navarro, do IBC, segmentar os clientes em categorias conforme o grau de fidelização também é uma boa para o negócio. É o que fazem os programas de companhias aéreas, por exemplo, com classes “gold”, “silver” etc.

“Você quer fazer parte de uma categoria melhor porque isso vai te trazer uma série de diferenciais, como acesso a salas VIP, embarque prioritário, check-in mais rápido e outras coisas. Isso desperta uma vontade natural no cliente de ser fiel à companhia e, assim, atingir uma categoria melhor”, diz.

Divulgação

Ter uma boa estratégia de fidelização não é suficiente se você não conseguir divulgá-la corretamente. E é preciso começar o trabalho de divulgação com os próprios funcionários do seu negócio.

“Quantas vezes a gente vai a uma loja que tem alguma estratégia de fidelização, mas o funcionário não faz um alerta na hora do pagamento porque ele mesmo desconhece as regras do estabelecimento”, afirma Navarro.

Esse desafio não é exclusivo das pequenas e médias empresas. “Você pode chegar em um posto Ipiranga, por exemplo, perguntar a um frentista sobre detalhes do programa ‘Km de Vantagens’ e talvez ele não saiba te responder com precisão. É um ótimo programa, mas cada posto acaba funcionando como uma empresa independente e fica difícil para a marca controlar a divulgação disso.”

Nas PMEs (pequenas e médias empresas), muitas vezes os donos ficam tão atolados com burocracias em seus escritórios, como pagamento de contas e gerenciamento de pedidos, que acabam se esquecendo de dar atenção ao treinamento dos funcionários.

É preciso lembrar ainda que a estratégia de fidelização de clientes, além de manter, claro, um público cativo, também pode servir para atrair novos consumidores para seu negócio.

Não à toa, as promoções do tipo “traga um amigo e ganhe desconto” podem dar bom resultado. As redes sociais são aliadas na divulgação da estratégia. Afinal, quem nunca viu no Instagram ou Facebook alguma promoção do tipo “marque um amigo e concorra”?

“É algo simples, mas que realmente dá resultado. Você inverte a situação, pois, além de fidelizar sua base de clientes, transforma-a em uma vendedora do seu negócio. Os próprios consumidores vão se empenhar para divulgar seu produto, já que terão uma contrapartida lá na frente”, explica Braga, do Ibmec.

O que não fazer

Todo cuidado é pouco na hora de pensar em uma estratégia de fidelização. Ter uma é importante, mas não pode ser qualquer uma. “Se você fizer por fazer, apenas porque a concorrência fez, a chance de o tiro sair pela culatra é grande”, alerta Braga.

Segundo o professor, é preciso estudar o cliente, conhecer profundamente as necessidades dos consumidores e o que os agrada.

“Muitos donos de pequenas e médias empresas pensam que não devem se preocupar com isso, já que é algo que estão ‘dando’ aos clientes, então eles não podem reclamar. Mas um cliente que teve uma experiência ruim com um programa de fidelidade de um estabelecimento pode querer não mais comprar o produto ou serviço oferecido por aquele lugar”, lembra Navarro, do IBC.

Também é fundamental fazer as contas. Se você for oferecer um produto grátis na compra de outros, o custo desse “brinde” tem que ser compensado de alguma forma para você não ficar no prejuízo. Não adianta agradar o consumidor se o preço disso for fechar as contas no vermelho.

Fonte: Exame.com

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dólar renova a mínima do ano com otimismo sobre Europa

SÃO PAULO - O dólar fechou em queda frente ao real e renovou a mínima no ano, acompanhando o movimento no exterior diante da perspectiva de que o referendo britânico, cujo resultado será divulgado amanhã, resultará na permanência do Reino Unido na União Europeia (UE). 

O dólar comercial caiu 1,01% e fechou a R$ 3,3435, menor patamar desde 29 de julho de 2015. Já o contrato futuro para julho recuava 1,02% para R$ 3,352. 

O mercado de câmbio local acompanhou o movimento de desvalorização do dólar frente às principais moedas emergentes no exterior, com os investidores aumentando as apostas na permanência do Reino Unido na UE. Duas pesquisas divulgadas hoje apontaram vantagem para os votos a favor da permanência do Reino Unido na UE.

Pesquisa do instituto Populus divulgada pelo “The Independent” apontou dez pontos de liderança para a permanência do Reino Unido na UE, com 55% das intenções de voto contra 45% para a saída. 

Já a pesquisa da Ipsos Mori para o jornal “Evening Standard” mostra uma liderança pela permanência na UE com 52% das intenções de voto contra 48% a favor da saída.

Para o estrategista da Icap, Juliano Ferreira, embora o mercado já tenha antecipado, em boa parte, o resultado pela continuidade do Reino Unido na UE, se isso se confirmar poderá trazer um cenário mais positivo para mercados emergentes. “Não acho que veremos um rali muito forte, mas será uma barreira a menos para os fluxos para mercados emergentes”, diz. Ferreira destaca que o ambiente está mais favorável para os ativos de risco com o preço do petróleo ao redor de US$ 50 e o Federal Reserve sinalizando um ritmo mais gradual de aumento da taxa básica de juros. 

Esse cenário de menor aversão a risco poderia contribuir para a recuperação das moedas emergentes.

Mas a intensidade de uma possível alta do real vai depender do posicionamento do Banco Central no mercado de câmbio. O BC interrompeu as vendas de contratos de swap cambial reverso, que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro, em 18 de maio e manteve apenas a rolagem dos lotes de linha de dólar que estão vencendo. 

Hoje a autoridade monetária realizou o leilão de rolagem de US$ 4,4 bilhões em linha de dólar com compromisso de recompra que venceria em julho.

O mercado aguarda a troca dos diretores do BC para ver qual será o posicionamento da nova diretoria em relação às atuações no mercado de câmbio. A sabatina no Senado dos novos diretores do BC, incluindo o de Política Monetária, Reinaldo Le Grazie, que é responsável pelos leilões no mercado de câmbio, está marcada para 5 de julho. 

O estrategista da Icap destaca ainda que uma queda adicional do dólar vai depender do fluxo de recursos para o mercado local.

Apesar do ambiente externo mais positivo para emergentes, o fluxo efetivo de investimentos estrangeiros para o Brasil, contudo, só deve acontecer após a conclusão do processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff, previsto para agosto. “O estrangeiro está esperando passar a incerteza em relação ao impeachment para voltar alocar no Brasil”, afirma um gestor local. 

Fonte: (Silvia Rosa | Valor)








quarta-feira, 22 de junho de 2016

7 dicas para abrir um negócio que terá sucesso na crise

Sucesso: é justamente com os problemas que surgem oportunidades. Você está pronto para aproveitá-las?

São Paulo – Crise econômica é sinônimo de tempo ruim para os negócios? Se você acha que sim, saiba que nem sempre isso é verdade: para quem sabe aproveitar, a recessão pode ser um momento de muito sucesso empresarial.

Porém, como saber se esse pode ser seu caso? O primeiro passo é fazer uma autoanálise e ver se seu perfil bate com o de um empreendedor de verdade. Você está pronto para entrar em uma carreira que depende da sua disposição em assumir riscos?

“Enquanto muitos olham a crise como algo ruim, é preciso entender que é justamente com os problemas que surgem oportunidades”, afirma Fabiano Nagamatsu, consultor do Sebrae/SP. “Com crise ou sem crise, ter um negócio é sinônimo de perigo. O que dá para fazer é minimizá-lo, pelo controle das próprias ações.”

Com medo desses riscos, muitos donos de negócio adotam o “comportamento de manada”: quando todo mundo cruza os braços, esse tipo de empreendedor faz o mesmo. Quando essas mesmas pessoas saem correndo para abrir um negócio, ele novamente segue o comportamento delas.

O que era para ser uma tática de proteção apenas compromete as chances de sucesso. “Se você apenas acompanhar o movimento dos outros, perderá a capacidade de se diferenciar. A crise econômica é uma oportunidade de os empresários apostarem na sua competência empresarial, porque ela faz diferença. O ambiente econômico é o mesmo para todos, mas só alguns negócios sobrevivem justamente por isso”, explica Bento Costa, coordenador do MBA de Marketing e Varejo do Ibmec/DF.

Destacando-se da manada de empreendedores, é possível perceber o lado positivo da crise econômica: o surgimento de novas necessidades e, portanto, novos negócios, diz Marcelo Veras, CEO da Inova Business School.

“Estamos vivendo um momento histórico: nunca se viu tantas empresas centenárias serem engolidas por startups. Há muita gente com ideias procurando dinheiro; e muita gente com dinheiro procurando ideias. Quem conseguir uma boa solução terá sucesso, independente de recessão”.

Ficou animado e está preparado para abrir um negócio durante a crise econômica? Então, confira algumas ações para colocar em prática desde já e obter muito sucesso:

1. Faça um bom planejamento

Fazer um planejamento é essencial para qualquer empresa que queira criar sua identidade no mercado, afirma Nagamatsu, do Sebrae/SP. “Por meio dele, não apenas é decidido como sua empresa será conhecida pelos clientes, mas também aonde você próprio quer chegar.”

Mas claro que não basta só planejar: é preciso ir acompanhando e alterando suas decisões, porque o mercado muda muito rápido. “Com as inovações tecnológicas, o ciclo de vida de um produto ou serviço é mais temporário. Por isso, a criatividade sempre vai ser o principal ponto de um planejamento.”

2. Inove, sempre

Um ponto muito relacionado com a criatividade, e que está presente em todo empreendedor de sucesso, é a atitude inovadora. “Muitos acham que inovação é algo apenas para empresas grandes, que têm uma área de pesquisa e desenvolvimento. Porém, isso é um engano”, diz Nagamatsu. “Essa inovação pode ser algo básico, algo que o diferencie do seu concorrente”. Por exemplo, mudanças no atendimento, na divulgação, nos processos e na entrega já contam como inovações.

3. Pense no seu cliente, e não em você mesmo

Lembre-se: o sucesso da sua empresa depende da relevância do problema que você irá resolver. Por isso, de nada adianta inaugurar um negócio para só depois verificar se há mercado ou não: é preciso analisar o problema a ser resolvido e pensar na jornada que seu consumidor fará até o produto.

“É só pegar o exemplo da economia compartilhada: veja o quanto ela cresceu, mesmo na crise”, diz Veras, da Inova Business School. “Isso porque ela usa os recursos disponíveis de forma inteligente, ou seja, propõe uma solução inovadora e que ressoa com as necessidades de boa parte dos consumidores.”

4. Estude, e muito, o seu mercado

Segundo Nagamatsu, do Sebrae/SP, é preciso que seu conhecimento sobre o negócio esteja à altura do empreendimento. Ou seja: se você não empreenderá em uma área que já conhece, é preciso buscar capacitação técnica antes de abrir a empresa.

“Por exemplo, se você decide empreender e vê que o setor de mercado pet está crescendo, busque saber como atender ao público-alvo desse tipo de negócio. Isso é verdade mesmo em uma franquia: não fique achando que, por ser algo padronizado, é possível abrir mão da capacitação.”

5. Só se comprometa com gastos mais para frente

Você acha que é preciso investir muito dinheiro para dar o pontapé inicial na sua empresa? Pois está enganado: só assuma gastos fixos, como aluguel e contratação de funcionário, depois de muita preparação.

“Preparar-se é algo que pode ser feito sem nenhum custo. É preciso primeiro fazer cursos, pesquisas, teste de mercado e até mesmo uma pré-venda do seu produto ou serviço. Só depois você pode começar a contrair custos fixos. Os empresários de sucesso não gastam primeiro para conhecer seu negócio depois”, diz Costa, do Ibmec/DF.

6. Repita: o bom hoje é melhor do que o ótimo amanhã

Um conceito muito conhecido no mundo do empreendedorismo é o “Lean Startup”: a ideia de que a melhor forma de desenvolver uma empresa é testar rápido e errar rápido, crescendo por meio de estímulos práticos.

“Acabou o momento de criar um produto e lançar só no dia perfeito”, sentencia Veras. “Hoje, já tendo um protótipo, você deve lançá-lo e testar essa ideia com especialistas e alguns consumidores. Ser o primeiro é relevante na hora de sua empresa ser avaliada, especialmente se ela envolve o desenvolvimento de alguma tecnologia.”

7. Invista em um time perfeito

A economia mais burra que um empreendedor pode fazer é deixar de investir em pessoas qualificadas na empresa, afirma Veras, da Inova Business School. “Tem gente que tem uma ideia ótima, mas coloca a implementação na mão de pessoas medianas. Isso acaba com o negócio.”

Isso vale tanto para sócios quanto para funcionários: contrate apenas o melhor, e não descarta completamente a ideia de abrir mão de alguma participação na companhia. “Às vezes, é mais inteligente não ser dono de tudo. Por exemplo, se você não possui alguma competência, é melhor dividir seu negócio com um parceiro e ganhar velocidade do que tentar aprender tudo que aparece pela frente.”

terça-feira, 21 de junho de 2016

6 dicas para enfrentar a crise na sua empresa


Dúvida do leitor: Tenho uma microempresa desde 1988, mas desde 2014 a situação das finanças está muito difícil e penso em encerrar as atividades. O que devo fazer para enfrentar a crise?

Respondido por Arnaldo Vhieira, especialista em estratégia de negócios

Para responder esta pergunta, quero contextualizar a palavra “crise”, que nos últimos tempos está na pauta de reuniões corporativas, discussões acadêmicas e jornalísticas. Escrevo sobre o tema, neste espaço, a fim de ajudar o empreendedor a enfrentar esse momento e extrair oportunidades diante das ameaças.

A palavra “crise” tem sua etimologia grega “krisis” utilizada, particularmente, pelos médicos para designar quando o doente era medicado e entrava em estado de desfecho. Portanto, crise poderia significar a morte ou a vida, uma fase difícil de transição entre a penúria (depressão) e a prosperidade. Entendo que a essa passagem permite avaliar quais nossas potencialidades pessoais e empreendedoras. É a partir da “crise” que se encontra a certeza do caminho certo.

No mundo dos negócios, este estado é sistemático e em forma de cadeia, ou seja, está instalado em todas as áreas da empresa, deste a produção até a área comercial e de marketing, passando pela gestão dos recursos humanos disponíveis. Portanto, a gestão financeira não poder ficar isolada no combate à crise: é necessário articular-se, estrategicamente, a todas as áreas. Assim, seguem algumas dicas para enfrentar a crise:

1. Controle os custos operacionais (fixos e variáveis), de acordo com a natureza do negócio. Em geral, serviços apresentam despesas mais altas com mão de obra. Avalie, portanto, a produtividade de cada colaborador e o retorno de entrega para os resultados esperados;

2. Troque de fornecedores, busque menores preços da matéria-prima e negocie contratos vigentes. Em tempos de crise, todos estão voltados à negociação: fornecedores e compradores;

3. Faça um controle rigoroso para não gastar mais do que arrecada. Evite empréstimos bancários, tendo em vista as altas taxas de juros. Resista à oferta de ajuda dos bancos para equilibrar seu capital de giro;

4. Faça uma adequação do padrão de produtos/ serviços ao preço cobrado, mantendo sempre a qualidade. Em tempo de crise, clientes são criteriosos em manter a fidelidade, principalmente, quando percebem que a adequação não interfere nos parâmetros de qualidade conquistados;

5. Faça revisão nos processos administrativos, produtivos e financeiros do negócio. Saiba que menos sempre será mais quando estamos em crise;

6. Por fim, avalie a continuidade do negócio a curto e médio prazo. Reveja a formatação de suas atividades e adéque-as à realidade de caixa e de mercado.

Siga essas seis dicas entendendo que na numerologia este numeral traduz a criatividade e a inovação, competências necessárias para o mundo dos negócios. Crises são momentos transitórios que servem de reflexão e autoconhecimento: para quem não sabe para onde ir, qualquer solução serve para fugir de um colapso.

Arnaldo Vhieira é coordenador do curso de gestão financeira da FMU.

Envie suas dúvidas sobre finanças empresariais para pme-exame@abril.com.br.

Fonte: Exame.com

Kroton melhora oferta pela Estácio

SÃO PAULO - (Atualizada às 8h55) A Kroton anunciou nesta terça-feira, em fato relevante, a elevação dos termos iniciais da proposta para aquisição da rival Estácio, apresentada em 2 de junho. 

Em carta enviada ontem ao presidente do conselho de administração da Estácio Participações, a companhia elevou a proporção de troca de papéis de 0,977 para 1,25 ação da Kroton para cada papel da Estácio. A nova relação de troca ofertada representa um prêmio de 27,9% sobre a primeira proposta da Kroton.

Tomando por base o preço de fechamento dos papéis da Kroton ontem, a proposta equivale a R$ 16,41 por ação da Estácio, um prêmio de 48,1% sobre o preço de fechamento das ações da Estácio em 1º de junho, último dia de negociações antes do início das tratativas da fusão. 

Na nova proposta tem caráter vinculante e prevê incorporação da totalidade das ações. Os acionistas da Estácio teriam 19,2% de participação na Kroton, com os demais 80,8% detidos pela própria Kroton. Na oferta anterior, as fatias eram de 15,7% e 84,3%, respectivamente.

A relação de troca, diz o comunicado, poderá vir a ser ajustada por: quaisquer desdobramentos, grupamentos, bonificações e emissões de ações eventualmente ocorridos em relação às companhias; quaisquer outros eventos fora do curso normal dos negócios de ambas as companhias a partir da presente data; outros eventos a serem acordados entre as empresas. 

“A administração da Kroton está bastante empenhada em viabilizar a combinação das operações das companhias, em termos e condições aceitáveis às partes e que sejam favoráveis às duas empresas e aos stakeholders envolvidos”, indicou Rodrigo Galindo, presidente da Kroton Educacional, no documento.

“Enfatizamos que, no nosso entendimento, a operação possui um forte racional estratégico em razão da alta complementaridade geográfica, do amplo potencial de sinergias e de ganhos de eficiência, e em especial, do fortalecimento dos investimentos na qualidade dos seus serviços educacionais.” 

A Kroton diz ainda estar convencida de que esta é a “melhor combinação estratégica possível” e traria relevantes benefícios para os negócios, alunos, acionistas e demais ‘stakeholders’.

A nova proposta tem validade até 30 de junho. Exceto se “expressamente prorrogada” pela administração da Kroton, a proposta será automaticamente revogada após tal data, diz o aviso. “Entendemos que velocidade e zelo são elementos cruciais para a realização da operação, tornando imperativo que a conclusão das negociações entre as companhias se dê na brevidade necessária, contando com o empenho das respectivas administrações, seus assessores e demais profissionais que devam participar da estruturação e viabilização da operação”, diz Galindo no fato relevante.

A Kroton afirmou ainda que os parâmetros da nova proposta foram baseados somente na análise das informações públicas divulgadas pela Estácio e assumem que até a data da possível implementação da operação, “a Estácio conduzirá suas atividades no curso normal de seus negócios, conforme conduzidos até a presente data”. 

A fusão ainda estará sujeita à aprovação dos conselhos de administração e das assembleias de acionistas de ambas as companhias, das autoridades regulatórias e de condições usuais em operações similares.

Resposta

 A Estácio Participações confirmou em fato relevante o recebimento da nova proposta da Kroton para a fusão das operações das duas companhias de educação. Segundo a Estácio, seu conselho de administração, com o apoio do comitê formado para examinar a questão, vai avaliar a proposta e se manifestará “oportunamente nos termos da legislação vigente”.





BB, Itaú e Bradesco podem levar tombo de R$ 13,57 bi com recuperação judicial da Oi

Pelos cálculos do Credit, o BB é o mais exposto à empresa, com cerca de R$ 4,3 bilhões, mas cuja posição pode chegar a R$ 5,9 bilhões


SÃO PAULO - O pedido de recuperação judicial da Oi (OIBR3; OIBR4) pode gerar um rombo de R$ 13,57 bilhões no Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco, segundo estimativas do Credit Suisse, em relatório divulgado nesta terça-feira (21). 

Pelos cálculos da equipe de análise do Credit, chefiada por Marcelo Telles, o BB é o mais exposto à empresa, com montante podendo chegar a R$ 5,9 bilhões. Já a exposição do Itaú Unibanco pode atingir R$ 5,7 bilhões, enquanto Bradesco parece ser - entre os bancos listados na BM&FBovespa - o menos exposto, com algo próximo a R$ 1,9 bilhões.

Na semana passada, antes do pedido de recuperação da companhia, dados da Bloomberg obtidos pelo Deutsche Bank apontavam que a exposição dos três bancos poderia chegar a R$ 8 bilhões, sendo R$ 4 bilhões para BB; R$ 2,5 bilhões para Itaú; e R$ 1,5 bilhão para Bradesco (para conferir a matéria completa clique aqui). 

Os analistas acreditam que o peso pode ser relevante e abrir um precedente para o segmento "corporate" das instituições financeiras. O custo de risco (principalmente do Itaú e Banco do Brasil) deve piorar e as provisões dos bancos devem aumentar, o que pode trazer algum impacto já no resultado do 2° trimestre de 2016, comentam.

Já pelos cálculos do Bradesco BBI, divulgados em relatório desta terça-feira, os analistas apontam uma exposição do BB de R$ 4,3 bilhões entre debêntures e linhas tradicionais de empréstimos.

Eles lembram que, em procedimento de recuperação judicial, os bancos classificam os empréstimos na categoria “E”e “F”, que normalmente exigem entre 30%-50% de provisionamento. Depois de aceito pelo juiz, a prática costuma ser de 70%-100% de provisionamento (dependendo das garantias).

Segundo o Bradesco BBI, provisionamento adicional poderia, provavelmente, dragar o resultado do 2° trimestre de 2016 do BB ao nível do 1° trimestre de 2016 em cerca de R$ 1,2 bilhão do lucro líquido, podendo levar o lucro para zero no 3° trimestre. Já o índice de basileia do banco pode cair em cerca de 60 pontos-base, aumentando apreensão dos investidores sobre posição de capital.

Já os analistas do Credit lembram o caso da Sete Brasil para citar que provavelmente a provisão para Oi ainda seja bem pequena (algo próximo de 10%, na nossa visão deles). A dívida sob proteção da empresa está em R$ 65,4 bilhões, o que supera a dívida financeira de R$ 49,4 bilhões.